dimanche 19 juillet 2026

No início era o medo...

 


No início era o medo, a dor, a raiva, um grito de desespero sem fim à vista... perdera a âncora do meu sossego e sentia-me à deriva num oceano agitado por ondas de emoção tão fortes e contrárias que o meu ser procurava na sombra um refúgio para a vertigem de sobreviver !

Forçada a mergulhar no campo dos que vão ficando, sem outra saída senão a de resistir, seguir em frente era o único caminho possível para escapar à dor da rejeição e abraçar incondicionalmente a solidão em que sempre vivi.

A ovelha mais negra de um rebanho selvagem... assim fui, assim sou e assim serei. Hoje, amputada no meu sentir, esforço-me por alcançar o equilíbrio de que preciso para continuar até que um dia, ou uma noite, a luz se apague e a outra viagem comece !

Até lá vou passeando por aqui, neste inferno terreno que nos consome a existência e adormece a alma... que nem sonâmbulos duma outra realidade paralela !

mercredi 4 mars 2026

Digo a mim mesma...





Digo a mim mesma que no fundo apenas tenho que aceitar a solidão como um factor constante, real e presente até ao final dos meus dias. Chega a parecer simples... mas esta é talvez a encruzilhada mais dura de enfrentar de toda a minha vida !


Sabemos ambos que não querias partir, mas a vida levou-te e com ela levou também a companhia das minhas filhas, que hoje me evitam como quem se abriga da chuva. A minha presença incomoda !

O que pensava ter construído em granito e cimento esboroou-se que nem um castelo de areia... mal retenho alguns grãos por entre os dedos !


Queria parar de resistir, aceitar e encontrar a paz de que tanto preciso para poder continuar sem este peso no peito e este sufoco na alma.


Parece pouco mas é tanto, é demasiado... como posso eu arrancar do peito quem trouxe no ventre ?! Como posso eu não querer saber do seu bem ou mal-estar ?! Como posso eu manter-me distante e fria de quem me trouxe calor e esperança em momentos de escuridão ?!

Quisera aceitar, mas certa do seu regresso, nem que fosse no meu último segundo, no meu último sopro... e sentir amor e perdão nos seus olhos ! 

jeudi 26 février 2026

Bem-Haja a Amizade






Finalmente ganhei coragem e saí à rua. O sol ajudou-me, brilhou desde o amanhecer, mergulhou fundo nos meus olhos até me tocar a alma e empurrou-me para a vida, rua abaixo ao encontro de gentes anónimas, provavelmente tão sequiosas de ternura e carinho quanto eu !

Onde cheguei, sentei-me, fui acolhida com simpatia e um chá à minha escolha... sorri, troquei algumas palavras com a senhora da recepção e sentei-me determinada a escrever.


Um ano e três meses passados dou-me conta que a única forma de suavizar a dor da tua ausência é ter vida social, encontrar e falar com pessoas que me queiram dar do seu tempo e da sua atenção... mas a ideia de tudo recomeçar, de criar laços com quem nada sabe de mim nem do meu percurso, cansa-me e chega a assustar-me.


Provavelmente vou desiludir e desiludir-me... já não tenho tempo, nem coragem para mais desilusões. As pessoas em quem confio, aqui, não têm muito tempo, apenas o suficiente para o essencial e básico, como ir às compras, e subtraindo-lhe toda a emoção e empatia.


As outras, que também me conhecem, que estariam disponíveis e até sensibilizadas para me dar um pouco do seu tempo, da sua atenção e até o seu ombro amigo, vivem longe. Ainda assim com uma delas e neste momento restam apenas três, falo quase todos os dias ao final da tarde.


Por incrível que pareça, essas chamadas têm o condão de acalmar a minha ansiedade e sossegar o meu coração ! Conhecemo-nos tão bem, no que gostamos como no que mal suportamos, que exorcisamos os nossos fantasmas rindo de nós mesmas e sonhando alto com castelos de areia !


O dia-a-dia, ainda que de formas distintas, é para ambas doloroso e isso basta para criar o traço de união que a distância não consegue apagar...


Bem-Haja a amizade, que resiste ao tempo, à distância e aos meus insuportáveis defeitos...

jeudi 29 janvier 2026

Na ala dos solitários...


 


Abri o meu tablet, cliquei em música e escolhi a 'melodia da felicidade'... queria tanto viver o milagre de me sentir feliz, ou pelo menos calma, com o sossego na alma e o coração tranquilo.


A cada retoma de contacto com as pessoas que em tempos fizeram parte do meu ciclo de amigos as notícias não são as melhores... a Vida surpreende-nos com mudanças inesperadas e até de alguma violência e cada um de nós tenta aguentar o impacto e seguir caminho sem muito tardar. Ninguém virá em nosso socorro. Muitos, nem sequer ousam desabafar a sua dor, com receio da reprovação alheia, de serem chamados de fracos ou etiquetados de emocionalmente desequilibrados !


Sentada no café, na ala dos solitários, dos que trabalham, estudam ou simplesmente fogem da solidão observo quem passa na rua e tento lembrar-me de quando também eu fazia parte dessa população 'activa' que sai à rua com um destino em vista, uma morada, uma porta, uma loja, uma casa, um refúgio...


O meu olhar fugidio e carente grita tão alto solidão que entre mim e quem passa se erguem muros de vergonha e caminhos rasgados na fuga ao desespero.


E neste vaguear sem eira nem beira, encontro abrigo no abraço de uma vizinha, até aqui desconhecida, tocada pela graça do meu desamparo.


Hoje o meu lar transborda de lágrimas e desassossego e eu saio à procura de gente, de vozes, de sons e de luz na ilusão de poder, finalmente, reencontrar o meu caminho !

mercredi 14 janvier 2026

Não preciso de muito...






O sol está de volta...


A sua luz abre sorrisos e o seu calor dá vida às cores que nos prometem a alegria dos poucos sonhos de que ainda não desistimos. Depois dos sessenta são pequenos sonhos, mas que nos pedem a coragem de os assumirmos, sem receio do olhar alheio. Sobretudo do olhar daqueles, que apesar de mais próximos, se revelam tão distantes...


Juízes, sem piedade nem empatia, criados e alimentados pela fragilidade de quem não soube esconder a sua tão baixa auto-estima !


Não sei bem a que momento do caminho me perdi de mim, mas ainda me lembro da pessoa impulsiva e determinada que fui... o importante era seguir o meu coração e viver o que sentia.


E eu vivi intensamente tudo o que senti e percorri oceanos de emoções, sem peias nem hesitações, até encontrar o meu cais e parar de navegar ! Mas ter mudado por duas vezes de embarcação ajudou a que mais tarde me sentisse acusada e logo de seguida culpada. Culpada de ter lutado, com amor e pelo amor, contra os moinhos de vento de velhos preconceitos ! Culpada de ter escolhido a minha verdade e não a dos outros !


Hoje há que ousar continuar o caminho, o meu caminho, mas desta vez em terra firme até reencontrar o meu bosque secreto, voltar às minhas raízes e finalmente parar para contemplar a vida ao meu redor !


Não preciso de muito... apenas do verde musgo do meu jardim de algas, onde tantas vezes reconheci o teu olhar, do vermelho sangue da nossa paixão, num ramo de cravos e do azul imenso desse mar que tão bem espelha o céu que nos envolve e o Porto da tua paixão !


Ser feliz sem ti, ainda me parece missão impossível . Mas não vou desistir, por ti, por mim e pelos nossos sonhos, hei-de um dia conseguir !

dimanche 4 janvier 2026

Não negar a nossa história...

 



E o tempo passa, sem hesitação ou dúvida, porque cada Vida deve seguir o seu curso até encontrar a sua meta, a sua foz, o seu oceano ! E é nessa imensidão que Ela vai encontrar todas as respostas !


Até lá sejamos humildes, pacientes, dignos de cada pequena vitória pela conquista de um dia-a-dia de tranquilidade e harmonia ! Pela minha parte quero deixar para trás todos os tumultos, todas as angústias e decepções... nada esperar de ninguém, nem mesmo uma mão estendida ou um gesto de ternura.


Recomeçar não significa voltar atrás, antes seguir em frente sem arrependimentos e com as boas recordações como única bagagem. O que nos fez mal, pode não ser esquecido mas pode ser destronado do nosso coração... não há nele espaço para o peso insuportável do que não tem perdão.


Deixar que venha até nós quem aprecia a nossa presença e deixar partir quem pouco ou mal nos suporta. Acabará por ser um alívio para todos...


Olhar cada amanhecer como o primeiro e cada pôr-do-sol como único. Sentir cada dia como uma benção e cada momento de alegria a usufruir e preservar como o maior e o melhor dos tesouros.


Não negar a nossa história, porque dela é o caminho que nos trouxe até aqui, onde hoje nos encontramos... com ou sem arrependimentos. O importante é a determinação com que enfrentamos cada desafio, cada recomeço... e nós, meu Anjo, vivemos e vençemos alguns !

jeudi 1 janvier 2026

Bom Ano de 2026





Lindo dia este primeiro de Janeiro de 2026 !

Um sol nada tímido, claramente brilhante que parece querer anunciar um bom ano ! Todos nós, sem excepção, o desejamos. 


Eu apenas quero que este vazio se torne indolor, que esta ausência se transforme em presença transparente, em sossego e doces lembranças. Quero lembrar sem mergulhar no abismo da dor, sem me perder de mim mesma e do caminho que me é destinado.


Tudo o que quero é encontrar a força e a coragem de continuar e deixar de me sentir debruçada na margem de um abismo que me assusta mas também me atrai. Tudo o que quero é reencontrar um sentido à minha existência.


É nos maus momentos que descobrimos quem realmente temos ao nosso lado, e eu, na procura cega de uma razão e de um sentido, mergulhei num caos emocional que espantou quem mais amo.


Talvez seja disso mesmo que eu preciso – solidão – para terminar a missão que me foi destinada nesta minha curta passagem pelo Mundo. Apenas tenho que a aceitar sem a sentir como um castigo e até talvez passar a senti-la como o refúgio último do meu desassossego...


Quero querer a solidão como se quer a melhor e mais leal das amigas e, quem sabe, pode até ser que me ajude a voltar a sorrir e tranforme 2026 num bom ano... oxalá !