vendredi 11 septembre 2026

Caminhar só...



Caminhar só, nem sequer parece complicado, mas não ter alguém ao lado para trocar ideias ou simplesmente olhares parece-me sem interesse ou qualquer nexo. Nada nos trava mas também ninguém nos espera !

Partilhar, nem que seja o silêncio da noite ou o uivar do vento, dá propósito e sentido ao nosso caminho... preenche aquele vazio deixado pela ausência dos que vão partindo.

Já na minha idade adulta, tempos houve em que vivi só, mas sempre rodeada por pessoas, que importavam nas escolhas do meu dia-a-dia e que contavam nas decisões que tomava.

Hoje só significa que não há qualquer outra variante a tomar em conta... problema e solução, bem ou mal, só a mim podem afectar, mas nem por isso me sinto mais livre ou sequer leve.

A ausência pesa tanto no meu caminhar que a marca dos meus passos se torna mais profunda e o caminho mais difícil de enfrentar.

Sem outra opção senão a de seguir em frente, paro de quando em quando a relembrar momentos, de alegria como de tristeza, abraçados pela memória ainda viva da nossa história e que tanto receio se apaguem pela erosão do tempo...

Enquanto memória houver na minha mente, no meu coração sempre, mas na minha alma eternamente !


samedi 5 septembre 2026

Bem-Hajam pela Fé que em mim renovaram!

 




Um sentimento de acalmia invadiu todo o meu ser, corpo e alma, desde a tarde deste primeiro dia de Setembro ! Transbordei por todos os poros do meu corpo toda a tristeza, o medo, a incompreensão, a culpa, a dor de amar profundamente alguém e não conseguir tocar-lhe... de volta recolhi ternura, abraços e olhares lacrimejantes !

Rodeada por seres sensíveis, que como eu, a um dado momento, conheceram a dor da perda de um ser, caído no abismo dos falsos paraísos, percebi que é possível permanecer de pé e pronto a ajudar sem abdicar do seu amor-próprio e da esperança de poder voltar a sorrir.

Consciente da sede de convívio, tentei contrariar aquela minha velha tendência ao isolamento que alimentei durante anos... a minha pequena família era o meu mundo e o Quim o meu lar .

Bem-Hajam pela Fé que em mim renovaram !

vendredi 4 septembre 2026

Um dia de chuva em pleno mês de Agosto!

 


No ar fresco duma manhã de Verão, sem sol, procuro o equílibrio dos sentidos e a inspiração dos céus. Em frente o mar quase cinza não levanta ondas, a praia nua de gentes convida o olhar a estender-se e abraçar o infinito do horizonte. É em momentos como este que reconheço a pequenez da minha solidão... somos tantos a procurar o conforto de um ombro amigo, de um sorriso meigo, duma palavra terna. E tão poucos a reconhecer a fragilidade de cada momento de procura(!)

Expomo-nos aos outros, que pensamos dignos de partilhar a nossa dor e não percebemos que o nevoeiro que nos vai na alma nos impede de alcançar um Porto onde abandonar a barca do nosso inferno.

Olhamos à volta e o andar despreocupado dos outros aguça-nos a vontade de fazer de conta, de mimar um final feliz para a nossa história. Como se tudo tivesse que ter um princípio um meio e um fim... de preferência feliz. A minha história devia ter começado pelo fim, seria muito mais fácil de carregar mesmo terminando num parto difícil.

Quisera voltar à infância e correr pelas praias da minha memória na companhia daqueles que foram ficando para trás para lhes dizer que amar pode até doer mas vale sempre a pena.

mercredi 12 août 2026

Quedas...

 



Reconheço a importância do que estou a viver e assusta-me perceber o quanto pode ser determinante na recta final da minha vida. Não está a ser fácil e não conseguir visualizar o cenário final tira-me o sossego, inquieta-me e parece desviar-me da paz que tanto procuro.

O principal obstáculo é não conseguir desprender-me e confiar no que ainda está por acontecer... aceitar sem resistir que o que virá, seja o que for, virá por bem !

Ainda tento controlar e antecipar o amanhã projectando o que me parece ser mais adequado, para mim e para aqueles que mais amo. Um perfeito absurdo, sobretudo quando hoje, aos sessenta e sete anos, estou plenamente consciente da vulnerabilidade do ser e estar feliz, da perenidade desses momentos...

Mas fazer parte é demasiado importante, sobretudo no pior dos cenários e eu sou a carta fora do baralho, o peixe fora de água, a ovelha negra que procura desesperadamente o seu rebanho.

O ser humano precisa de pontos de referência, que vai construindo ao longo da sua existência e que facilmente encontra no sentimento de pertença – a uma família, a uma causa, a um combate – porque isolado sente-se nu e perdido, sem motivação, sem objecivos, sem razão de ser ou estar! E quando perdemos o chão o sentido da Vida cai na vertigem do abismo. O segredo está na capacidade de nos levantarmos após cada queda. E a verdade é que desta vez me perguntei se ainda vale a pena levantar-me(?)

vendredi 31 juillet 2026

ao encontro do mar...

 



O mar é sempre um bom destino... para pousar o olhar, mergulhar todas as dúvidas e acalmar as tempestades da alma ! Desde a adolescência que corro para ele e nele me abrigo... mesmo no Inverno as suas ondas revoltas souberam acalmar todos os meus medos.

No Verão procuro nele a brisa, que tão bem espalha o aroma das suas águas, as ondas, que tão bem embalam os nossos sonhos e refrescam os nossos corpos, o verde das suas algas que tão bem espelharam o teu olhar... nele me encontro e encontro o que procuro sempre que perco o norte.

Ir ao encontro do mar é o meu jeito de te celebrar e celebrar o nosso Amor, de te lembrar caminhando ao longo da praia e de me convencer que nem a solidão nem o tempo te conseguirão apagar... no meu coração hoje, na minha alma eternamente !

jeudi 30 juillet 2026

Faz tempos que parei de querer...



Faz tempos que parei de querer, de desejar, de sonhar, de descobrir, de projectar, limito-me a antecipar a desgraça e a vivê-la duplamente.

Anos a ler a minha imagem no olhar dos outros, e a moldá-la ao gosto dos que me foram rodeando... medíocre, talvez, mas tive no minímo o mérito de agradar mimando o que esperavam de mim.

O adulto que em criança se sentiu rejeitada, inferior e frequentemente esmagada na sua auto-estima, essa criança fui Eu. Patinho feio que na adolescência vira cisne e tenta resistir ao medo e à insegurança alimentando um lado narcisista que timidamente veio à superfície... transformar o meu lado frágil na minha melhor arma surgiu como a resposta certa ao desafio de encontrar o meu lugar na sociedade, de me integrar e quem sabe ser até feliz !

A única e grande verdade, em toda a minha história, foi o amor que fui sentindo ao longo da vida.

A espaços descontínuos acho que fui ou que pelo menos conheci momentos de plenitude e desapego. Nesses momentos, para regalo meu e sofrimento de muitos, acreditei ser Eu .

Hoje irónicamente pergunto-me quem sou ?


dimanche 19 juillet 2026

No início era o medo...

 


No início era o medo, a dor, a raiva, um grito de desespero sem fim à vista... perdera a âncora do meu sossego e sentia-me à deriva num oceano agitado por ondas de emoção tão fortes e contrárias que o meu ser procurava na sombra um refúgio para a vertigem de sobreviver !

Forçada a mergulhar no campo dos que vão ficando, sem outra saída senão a de resistir, seguir em frente era o único caminho possível para escapar à dor da rejeição e abraçar incondicionalmente a solidão em que sempre vivi.

A ovelha mais negra de um rebanho selvagem... assim fui, assim sou e assim serei. Hoje, amputada no meu sentir, esforço-me por alcançar o equilíbrio de que preciso para continuar até que um dia, ou uma noite, a luz se apague e a outra viagem comece !

Até lá vou passeando por aqui, neste inferno terreno que nos consome a existência e adormece a alma... que nem sonâmbulos duma outra realidade paralela !