vendredi 18 novembre 2016

Quando o absurdo se torna realidade!



O último post foi um enorme desabafo, diria até do foro íntimo mas absolutamente necessário senão mesmo terapêutico. Para podermos virar a página e avançar, temos por vezes e antes de mais nada que esvaziar o saco, do peso doloroso de certos momentos mal digeridos do passado. Se não os conseguimos engolir e assimilar o melhor é deitar para fora... para não dizer vomitar!

Falemos agora de outras coisas, sérias, mesmo muito sérias mas bastante menos pessoais.

Para muitos de nós, diria mesmo para a maioria, a candidatura de Trump parecia do domínio da caricatura e do absurdo, logo impossível de se concretizar. Mas uma vez eleito, depressa nos damos conta que nem sequer adianta gritar na esperança que alguém nos acorde libertando-nos assim do pesadelo, pois este não só se confirma como apenas começa e o pior é que vamos ter que o viver bem acordados!

E é nessa altura que olho lá para fora, numa tentativa desesperada de fuga à realidade, e que vejo eu? Uma aguarela... as cores parecem diluir-se sob o peso de tanta chuva, o céu encoberto e triste, perdeu toda a limpidez toda a luz e as árvores semi-nuas deixam cair sem qualquer pudor as poucas folhas amarelecidas que ainda lhes restam.

E assim desmaia o verde, entre o amarelo e o ocre, anunciando a todos um longo inverno! 

jeudi 10 novembre 2016

Quando sonhar é tudo o que nos resta!



Foi quase a medo e pé ante pé que voltei ao meu blogue. 
Ao dar-me conta de nem sequer me lembrar do título e tema do último post cheguei a recear não o reconhecer... é que só então realizei ter estado ausente mais de dois anos!
Um bem longo parêntesis, mas apenas na escrita, pois não impediu a vida de seguir o seu curso nem o tempo de passar... como só ele, sem dó nem piedade!
As filhotas, já adultas, vão construindo o seu pequeno ninho e seguindo, cada uma, o seu próprio rumo.
Da grande família, que cheguei a detestar quase tanto quanto amei, já pouco resta! E aqui poderia desenvolver o tema da dualidade de sentimentos que sempre me despertaram alguns dos meus familiares, e por incrível que pareça os mais próximos senão mesmo os mais queridos... mas seria longo e demasiado doloroso.
Felizmente que os Pais já não são deste mundo, ou muito teriam ainda sofrido ao ver desagregar-se a família que a tanto custo criaram.
Da irmã, do irmão e do agora ex-cunhado, sem falar dos sobrinhos, pouco ou nada sei e muitas vezes me pergunto como vão e por onde andam? Todos longe, demasiado longe, da vista claro e quase do coracão, não fora um grão ínfimo de esperança, uma boa dose de teimosia e esta minha capacidade de sonhar!
Ao longo destes últimos dez anos os nossos caminhos raramente se cruzaram e nessas poucas quanto breves ocasiões em vez de reforçarmos os laços, apenas nos limitamos a trocar palavras, despidas de sentimento e até de verdade! Dir-se-ia que com o passar do tempo, o que até então nos diferenciou ganhava mais peso, tornando-se bem mais forte que o que sempre nos uniu e acabando por instaurar um silêncio brutal e absoluto que terminaria em ruptura!
A minha família é assim mesmo, e o melhor é aceitar, até porque há muito que me dei conta que não há famílias perfeitas, porque haveria a minha de escapar à regra?!
Doeu, ainda hoje dói, mas o tempo foi passando e dei comigo a transformar toda a frustração sentida em vontade de sonhar. E podem crer eu sonho muito! E foi assim que à custa de muito esforço e paciência alguns dos meus sonhos se realizaram, certamente os mais realistas. Outros foram ficando pelo caminho, eternamente projectos mas ainda assim contribuindo para a pessoa que hoje sou. Pois uns como outros, concretizados ou não, revelaram-se verdadeiros balsâmos para almas inquietas como a minha! E aqui poderia também desenvolver o tema deste imenso sentimento de culpa, que desde sempre, ou quase, me acompanha! Mas uma vez mais seria longo e profundamente doloroso!
Volto por isso aos sonhos e dou-me conta, que de entre todos, aquele que hoje me parece o mais distante senão mesmo inacessível, que nem a lua ou as estrelas, é talvez o mais simples e humilde: o de me ver rodeada de toda a família, sem excepções, numa casinha térrea de janelas amplas, abertas ao mundo e a largos horizontes, que imagino coloridos ao ritmo das estações. Todos juntos, ainda que bem diferentes e até ímpares no que toca à imperfeição, mas verdadeiros e solidários, capazes de transformar o que nos distingue na força que em tempos nos uniu.
Como é bom sonhar! Sobretudo quando receamos ser tudo o que nos resta.

mardi 22 juillet 2014

Miséria ao vivo... em Genebra!

O mês é Maio, 26 o dia e como numa qualquer Segunda-feira de 2014 a semana parecia anunciar-se normal, até que resolvi espreitar o tempo da minha varanda, na esperança de ver se o sol calar a chuva, e o meu olhar se esbugalhou diante da imagem de um homem a remexer ativamente os contentores do lixo! Espanto e tristeza são as   palavras que melhor traduzem o meu sentir naquele momento.
Nada de realmente novo, dirão vocês, pois esse tipo de imagem, entra-nos pela casa dentro quase quotidianamente, a ilustrar notícias que nos falam da miséria por esse mundo fora!
É verdade que já tinha visto algo de tristemente idêntico num desses telejornais, mas ao vivo e em Genebra,
foi a primeira vez!
Afinal estamos na Suiça, um país rico entre os mais ricos e que há bem pouco tempo era noticiado pela rádio como tendo uma população que apresenta um índice de felicidade dos mais elevados do Mundo! Mas pelos vistos  este Mundo encerra outros, tão distantes e opostos, que mesmo partilhando um só espaço nem todos fazem parte do mesmo mundo!
Ser obrigado a remexer as lixeiras para viver, ou melhor sobreviver, é para mim a imagem que reflete com rigor e crueldade a exclusão em meio urbano, sinal claro de decadência, senão mesmo de morte, do que de mais   precioso tem o ser humano: a sua dignidade!
E de repente em apenas alguns segundos senti-me invadida por um imenso sentimento de culpa. Era urgente reagir, fazer algo, mas o quê?  Rapidamente percebi que tudo o que pudesse no momento fazer, como dar-lhe de comer ou beber, em nada mudaria aquele instante e menos ainda o rumo da sua vida!  Pois no dia seguinte a fome   como a sede voltariam e a resposta a tais necessidades seria cruel e impiedosamente a mesma:
 - procurar na lixeira!
O pior é que tomar consciência dos nosso limites, ou daqueles que nos são impostos, em nada melhora ou ajuda, pelo contrário, antes parece aumentar a nossa responsabilidade por maior que seja o nosso desacordo. A democracia é também isso, cohabitar com inúmeras injustiças e contentar-se com a  possibilidade de  apenas  poder  exprimir o seu desacordo sem que no imediato, nada mude.
Enquanto isso há vidas que procuram, nos restos da abundância de outras, a sua própria subsistência!
 Horizonte, aparentemente, límpido...

mercredi 14 mai 2014



"Que venha o Diabo e escolha"

Eis duas das notícias mais lidas na web nestes últimos dias:

  1. Eurovisão 2014: Mulher barbuda austríaca conquista festival da canção.
  2. Líder do Boko Haram fala na conversão ao Islão das jovens raptadas e propõe troca.

Ao ler estes títulos dou-me conta do enorme absurdo deste nosso Mundo, dito real, que muitas vezes, e mais do que as que seriam desejáveis, parece tomar a aparência de um circo imenso e grotesco à imagem de um desses cenários virtuais, tão medíocres, da tele-realidade!!!
Neste momento, tão preciso quanto efémero, as atenções dividem-se entre a mulher barbuda austríaca que ganhou o festival da canção e o líder do grupo radical islâmico Boko Haram, que semeia o terror na Nigéria! E ainda que a monstruosidade de ambos seja bem distinta e de consequências diametralmente opostas – o primeiro diverte e distrai o segundo castra e destrói – ambos espantam e atraem as atenções do mundo inteiro... ou quase!
Quase, porque eu por exemplo, sobre o primeiro, para além do título pouco mais li. Uma só imagem bastou-me para saciar a curiosidade e depois, devo confessar, nunca fui muito em festivais. Quanto ao segundo a repugnância que me desperta é tal que as palavras se esgotam na recusa de lhe dar mais importância do que aquela que o mais infímo dos vermes merece! E desde já peço desculpa aos vermes, do nosso reino animal, pela comparação.
Resumindo e concluindo, se fossem ambos a concurso eu diria “que venha o Diabo e escolha”!
Por falar em surrealismo... de Laura Flores

jeudi 1 mai 2014

Hoje sinto-me assim...


...terrivelmente exposta, despida de vaidades e sôfrega de luz!

mardi 29 avril 2014

Lancement raté pour le premier drone portugais



E se o (des)governo português em vez de gastar dinheiro em drones
subsidiasse o tratamento das doenças crónicas dos seus cidadãos?
Talvez a nossa imagem no mundo não fosse esta, tão ridícula mas no fundo tão
concordante com a triste realidade do país.

dimanche 27 avril 2014

 

Imagens de um dia de viagem... 

 





Que gosto de lembrar e porque não partilhar...