No ar fresco duma manhã de Verão, sem sol, procuro o equílibrio dos sentidos e a inspiração dos céus. Em frente o mar quase cinza não levanta ondas, a praia nua de gentes convida o olhar a estender-se e abraçar o infinito do horizonte. É em momentos como este que reconheço a pequenez da minha solidão... somos tantos a procurar o conforto de um ombro amigo, de um sorriso meigo, duma palavra terna. E tão poucos a reconhecer a fragilidade de cada momento de procura(!)
Expomo-nos aos outros, que pensamos dignos de partilhar a nossa dor e não percebemos que o nevoeiro que nos vai na alma nos impede de alcançar um Porto onde abandonar a barca do nosso inferno.
Olhamos à volta e o andar despreocupado dos outros aguça-nos a vontade de fazer de conta, de mimar um final feliz para a nossa história. Como se tudo tivesse que ter um princípio um meio e um fim... de preferência feliz. A minha história devia ter começado pelo fim, seria muito mais fácil de carregar mesmo terminando num parto difícil.
Quisera voltar à infância e correr pelas praias da minha memória na companhia daqueles que foram ficando para trás para lhes dizer que amar pode até doer mas vale sempre a pena.
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