Reconheço a importância do que estou a viver e assusta-me perceber o quanto pode ser determinante na recta final da minha vida. Não está a ser fácil e não conseguir visualizar o cenário final tira-me o sossego, inquieta-me e parece desviar-me da paz que tanto procuro.
O principal obstáculo é não conseguir desprender-me e confiar no que ainda está por acontecer... aceitar sem resistir que o que virá, seja o que for, virá por bem !
Ainda tento controlar e antecipar o amanhã projectando o que me parece ser mais adequado, para mim e para aqueles que mais amo. Um perfeito absurdo, sobretudo quando hoje, aos sessenta e sete anos, estou plenamente consciente da vulnerabilidade do ser e estar feliz, da perenidade desses momentos...
Mas fazer parte é demasiado importante, sobretudo no pior dos cenários e eu sou a carta fora do baralho, o peixe fora de água, a ovelha negra que procura desesperadamente o seu rebanho.
O ser humano precisa de pontos de referência, que vai construindo ao longo da sua existência e que facilmente encontra no sentimento de pertença – a uma família, a uma causa, a um combate – porque isolado sente-se nu e perdido, sem motivação, sem objecivos, sem razão de ser ou estar! E quando perdemos o chão o sentido da Vida cai na vertigem do abismo. O segredo está na capacidade de nos levantarmos após cada queda. E a verdade é que desta vez me perguntei se ainda vale a pena levantar-me(?)
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