Faz tempos que parei de querer, de desejar, de sonhar, de descobrir, de projectar, limito-me a antecipar a desgraça e a vivê-la duplamente.
Anos a ler a minha imagem no olhar dos outros, e a moldá-la ao gosto dos que me foram rodeando... medíocre, talvez, mas tive no minímo o mérito de agradar mimando o que esperavam de mim.
O adulto que em criança se sentiu rejeitada, inferior e frequentemente esmagada na sua auto-estima, essa criança fui Eu. Patinho feio que na adolescência vira cisne e tenta resistir ao medo e à insegurança alimentando um lado narcisista que timidamente veio à superfície... transformar o meu lado frágil na minha melhor arma surgiu como a resposta certa ao desafio de encontrar o meu lugar na sociedade, de me integrar e quem sabe ser até feliz !
A única e grande verdade, em toda a minha história, foi o amor que fui sentindo ao longo da vida.
A espaços descontínuos acho que fui ou que pelo menos conheci momentos de plenitude e desapego. Nesses momentos, para regalo meu e sofrimento de muitos, acreditei ser Eu .
Hoje irónicamente pergunto-me quem sou ?
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