mercredi 14 janvier 2026

Não preciso de muito...






O sol está de volta...


A sua luz abre sorrisos e o seu calor dá vida às cores que nos prometem a alegria dos poucos sonhos de que ainda não desistimos. Depois dos sessenta são pequenos sonhos, mas que nos pedem a coragem de os assumirmos, sem receio do olhar alheio. Sobretudo do olhar daqueles, que apesar de mais próximos, se revelam tão distantes...


Juízes, sem piedade nem empatia, criados e alimentados pela fragilidade de quem não soube esconder a sua tão baixa auto-estima !


Não sei bem a que momento do caminho me perdi de mim, mas ainda me lembro da pessoa impulsiva e determinada que fui... o importante era seguir o meu coração e viver o que sentia.


E eu vivi intensamente tudo o que senti e percorri oceanos de emoções, sem peias nem hesitações, até encontrar o meu cais e parar de navegar ! Mas ter mudado por duas vezes de embarcação ajudou a que mais tarde me sentisse acusada e logo de seguida culpada. Culpada de ter lutado, com amor e pelo amor, contra os moinhos de vento de velhos preconceitos ! Culpada de ter escolhido a minha verdade e não a dos outros !


Hoje há que ousar continuar o caminho, o meu caminho, mas desta vez em terra firme até reencontrar o meu bosque secreto, voltar às minhas raízes e finalmente parar para contemplar a vida ao meu redor !


Não preciso de muito... apenas do verde musgo do meu jardim de algas, onde tantas vezes reconheci o teu olhar, do vermelho sangue da nossa paixão, num ramo de cravos e do azul imenso desse mar que tão bem espelha o céu que nos envolve e o Porto da tua paixão !


Ser feliz sem ti, ainda me parece missão impossível . Mas não vou desistir, por ti, por mim e pelos nossos sonhos, hei-de um dia conseguir !

dimanche 4 janvier 2026

Não negar a nossa história...

 



E o tempo passa, sem hesitação ou dúvida, porque cada Vida deve seguir o seu curso até encontrar a sua meta, a sua foz, o seu oceano ! E é nessa imensidão que Ela vai encontrar todas as respostas !


Até lá sejamos humildes, pacientes, dignos de cada pequena vitória pela conquista de um dia-a-dia de tranquilidade e harmonia ! Pela minha parte quero deixar para trás todos os tumultos, todas as angústias e decepções... nada esperar de ninguém, nem mesmo uma mão estendida ou um gesto de ternura.


Recomeçar não significa voltar atrás, antes seguir em frente sem arrependimentos e com as boas recordações como única bagagem. O que nos fez mal, pode não ser esquecido mas pode ser destronado do nosso coração... não há nele espaço para o peso insuportável do que não tem perdão.


Deixar que venha até nós quem aprecia a nossa presença e deixar partir quem pouco ou mal nos suporta. Acabará por ser um alívio para todos...


Olhar cada amanhecer como o primeiro e cada pôr-do-sol como único. Sentir cada dia como uma benção e cada momento de alegria a usufruir e preservar como o maior e o melhor dos tesouros.


Não negar a nossa história, porque dela é o caminho que nos trouxe até aqui, onde hoje nos encontramos... com ou sem arrependimentos. O importante é a determinação com que enfrentamos cada desafio, cada recomeço... e nós, meu Anjo, vivemos e vençemos alguns !

jeudi 1 janvier 2026

Bom Ano de 2026





Lindo dia este primeiro de Janeiro de 2026 !

Um sol nada tímido, claramente brilhante que parece querer anunciar um bom ano ! Todos nós, sem excepção, o desejamos. 


Eu apenas quero que este vazio se torne indolor, que esta ausência se transforme em presença transparente, em sossego e doces lembranças. Quero lembrar sem mergulhar no abismo da dor, sem me perder de mim mesma e do caminho que me é destinado.


Tudo o que quero é encontrar a força e a coragem de continuar e deixar de me sentir debruçada na margem de um abismo que me assusta mas também me atrai. Tudo o que quero é reencontrar um sentido à minha existência.


É nos maus momentos que descobrimos quem realmente temos ao nosso lado, e eu, na procura cega de uma razão e de um sentido, mergulhei num caos emocional que espantou quem mais amo.


Talvez seja disso mesmo que eu preciso – solidão – para terminar a missão que me foi destinada nesta minha curta passagem pelo Mundo. Apenas tenho que a aceitar sem a sentir como um castigo e até talvez passar a senti-la como o refúgio último do meu desassossego...


Quero querer a solidão como se quer a melhor e mais leal das amigas e, quem sabe, pode até ser que me ajude a voltar a sorrir e tranforme 2026 num bom ano... oxalá !


J'aimerais tellement...


 


J'aimerais tellement vous avoir de retour. J'aimerais tellement avoir votre attention, votre respect, vos câlins... j'en donnerais ma vie pour l'avoir ! Mais la vérité c'est que je suis seule, avec mon chagrin et mes mémoires...


Je vous aime trop pour vous en vouloir, surtout parce que la vérité c'est que c'est moi qui n'a pas été à l'hauteur... jamais j'aurais dû être mère, jamais !


Devant moi des images de l'océan, immense, doux et tellement bien rythmé que je me sens rassurée... c'est là, bien à côté, que je veux finir mes jours. Je n'ai pas peur de la mort, c'est la douleur qui me fait peur !


J'ai essayé de tenir le coup, à l'aide d'un verre de vin, ça m'a libéré l'esprit et l'encre cours à flot comme une rivière vers son destin... la mer. N'est-ce pas elle la Mère de nous tous ?!


C'est devant Elle que je veux boire quelques verres, fêter ma libération, pour finalement vivre en paix !



jeudi 25 décembre 2025

Emocionalmente distante...





Decidi tentar uma nova abordagem à minha situação, para um tempo que chamo de transição. Mas ainda assim o final, salvo milagre, adivinha-se junto ao mar...


Entretanto o meu maior desejo é o de recuperar a atenção, o carinho e o respeito de quem mais amo. A 22 de Dezembro de 2025 o meu maior receio é jamais o conseguir e o pior é que não consigo perceber quando e como as perdi !? Até há bem pouco tempo senti-as tão próximas... cada vez que ao sair da garagem olhava o nosso prédio sentia-me invadida por um sentimento de segurança e conforto, apenas por me saber rodeada de ambas. No meu coração nada nem nimguém poderia nunca separar-nos.


Ironia do destino, durante este último ano, senti-as distantes como nunca antes... como se um enorme precipício se tivesse aberto entre as três, como se uma parede se tivesse erguido impedindo-nos de nos tocarmos ou sequer nos olharmos !


O que quer que tenha feito queria poder desfazer, ou fazer o que quer que não fiz e devesse ter feito ! E em forma de oração vou pedindo, a Deus, ao Universo, a todos os Anjos e Almas boas, que me ajudem iluminando o meu caminho.


Mantenho-me à distância que me foi exigida, quietinha no meu canto, mergulhada na minha solidão à espera que me procurem, que me batam à porta, ou que o telefone toque e uma voz doce e terna queira abrir-se comigo e saber de mim e dos meus dias...


Depois duma véspera de Natal especialmente calma e dolorosa, hoje 25 de Dezembro de 2025 bem dentro de mim fez-se luz e percebi finalmenteque que não há nada a fazer senão continuar quieta no meu canto, mas sem nada esperar, absolutamente nada de ninguém, permanecer emocionalmente distante...


Na noite passada, o distúrbio emocional que me consumiu durante dois longos anos, apagou-se... finalmente !


vendredi 12 décembre 2025

Por mais que tente...

 


Por mais que tente este seu coração não abranda, não aceita e não esquece... dói-lhe a ausência, de quem teima em amar desde da primeira célula, do primeiro sopro, do primeiro grito.


Mas ninguém procura este seu coração... o telefone não toca nem lhe batem à porta. Um olhar, um sorriso, uma palavra, um pequeno gesto bastariam...

Será que o peso das suas lágrimas o fez cair no oceano do esquecimento ?! Alguém lhe terá dito ''não chores, mantém-te digno'' e ainda ''segue a tua vida...''.


Já não há compasso para o seu bater no seio de quem fez parte do seu pequeno mundo... era pequeno sim, mas colorido, e acolhedor. Um pequeno mundo de gente real, cheia de vida, muitos sonhos, alegrias e algumas imperfeições.

Gente como ela, de carne e osso, onde morder deixa marcas e dói ! Mas as feridas da carne um dia cicatrizam e finalmente fecham, já as feridas da alma não se vêm, nunca sabemos quando e se realmente um dia fecham... basta por vezes uma imagem, um aroma, uma frase e a cicatriz abre-se e as lágrimas soltam-se em catadupa, num desespero sem fim nem freio !


O tempo passa mas este seu coração continua a não abrandar, a não aceitar e a não querer esquecer. Porque esquecer é deixar morrer a nossa história, é apagar os passos que nos trouxeram até aqui... onde hoje somos quem somos : mais velhos, mais frágeis, mas também mais autênticos e livres !

dimanche 7 décembre 2025

Foram dois longos anos... meu Anjo!


 



Foram dois longos anos, os mais longos de toda a minha vida !


Em 2024 contemplei o rosto do Homem que mais amei resistir ao sofrimento em silêncio e sem nunca se queixar... vi-o transformar-se, vi a luz dos seus olhos lentamente apagar-se e segurei nas minhas as suas mãos, no desejo profundo de nunca as esquecer e guardar na minha alma a Paixão que nos abraçou e o Amor que nos uniu. Rezei baixinho, enquanto lhe lavava o corpo, mas não houve milagre... e assim mergulhei no desespero atroz da impotência, nadando contra a corrente até à última hora da sua vida.


Após a sua morte e durante todo este ano de 2025, bati-me dia após dia contra o sentimento de revolta deixado pela sua ausência, contra a vertigem de ter perdido o meu chão e com ele o horizonte. Passei todos estes meses a digerir, lenta e dolorosamente o que não posso mudar... aceitar a Vida sem Ele.


É um facto, ao qual posso fugir desistindo de mim, de todos e de tudo. Mas esta manhã acordei decidida a aceitar o até aqui inaceitável, a enfrentar o até aqui impensável e continuar... na tentativa de realizar o seu último desejo, confessado à equipa médica dos cuidados intensivos na sua última semana de vida, ''Que a minha mulher seja feliz''.


E que a tua  Luz ilumine o caminho que me resta e me ajude a encontrar a paz de que preciso para voltar a sentir a alegria de viver... meu Anjo!