mercredi 4 mars 2026

Digo a mim mesma...





Digo a mim mesma que no fundo apenas tenho que aceitar a solidão como um factor constante, real e presente até ao final dos meus dias. Chega a parecer simples... mas esta é talvez a encruzilhada mais dura de enfrentar de toda a minha vida !


Sabemos ambos que não querias partir, mas a vida levou-te e com ela levou também a companhia das minhas filhas, que hoje me evitam como quem se abriga da chuva. A minha presença incomoda !

O que pensava ter construído em granito e cimento esboroou-se que nem um castelo de areia... mal retenho alguns grãos por entre os dedos !


Queria parar de resistir, aceitar e encontrar a paz de que tanto preciso para poder continuar sem este peso no peito e este sufoco na alma.


Parece pouco mas é tanto, é demasiado... como posso eu arrancar do peito quem trouxe no ventre ?! Como posso eu não querer saber do seu bem ou mal-estar ?! Como posso eu manter-me distante e fria de quem me trouxe calor e esperança em momentos de escuridão ?!

Quisera aceitar, mas certa do seu regresso, nem que fosse no meu último segundo, no meu último sopro... e sentir amor e perdão nos seus olhos ! 

jeudi 26 février 2026

Bem-Haja a Amizade






Finalmente ganhei coragem e saí à rua. O sol ajudou-me, brilhou desde o amanhecer, mergulhou fundo nos meus olhos até me tocar a alma e empurrou-me para a vida, rua abaixo ao encontro de gentes anónimas, provavelmente tão sequiosas de ternura e carinho quanto eu !

Onde cheguei, sentei-me, fui acolhida com simpatia e um chá à minha escolha... sorri, troquei algumas palavras com a senhora da recepção e sentei-me determinada a escrever.


Um ano e três meses passados dou-me conta que a única forma de suavizar a dor da tua ausência é ter vida social, encontrar e falar com pessoas que me queiram dar do seu tempo e da sua atenção... mas a ideia de tudo recomeçar, de criar laços com quem nada sabe de mim nem do meu percurso, cansa-me e chega a assustar-me.


Provavelmente vou desiludir e desiludir-me... já não tenho tempo, nem coragem para mais desilusões. As pessoas em quem confio, aqui, não têm muito tempo, apenas o suficiente para o essencial e básico, como ir às compras, e subtraindo-lhe toda a emoção e empatia.


As outras, que também me conhecem, que estariam disponíveis e até sensibilizadas para me dar um pouco do seu tempo, da sua atenção e até o seu ombro amigo, vivem longe. Ainda assim com uma delas e neste momento restam apenas três, falo quase todos os dias ao final da tarde.


Por incrível que pareça, essas chamadas têm o condão de acalmar a minha ansiedade e sossegar o meu coração ! Conhecemo-nos tão bem, no que gostamos como no que mal suportamos, que exorcisamos os nossos fantasmas rindo de nós mesmas e sonhando alto com castelos de areia !


O dia-a-dia, ainda que de formas distintas, é para ambas doloroso e isso basta para criar o traço de união que a distância não consegue apagar...


Bem-Haja a amizade, que resiste ao tempo, à distância e aos meus insuportáveis defeitos...

jeudi 29 janvier 2026

Na ala dos solitários...


 


Abri o meu tablet, cliquei em música e escolhi a 'melodia da felicidade'... queria tanto viver o milagre de me sentir feliz, ou pelo menos calma, com o sossego na alma e o coração tranquilo.


A cada retoma de contacto com as pessoas que em tempos fizeram parte do meu ciclo de amigos as notícias não são as melhores... a Vida surpreende-nos com mudanças inesperadas e até de alguma violência e cada um de nós tenta aguentar o impacto e seguir caminho sem muito tardar. Ninguém virá em nosso socorro. Muitos, nem sequer ousam desabafar a sua dor, com receio da reprovação alheia, de serem chamados de fracos ou etiquetados de emocionalmente desequilibrados !


Sentada no café, na ala dos solitários, dos que trabalham, estudam ou simplesmente fogem da solidão observo quem passa na rua e tento lembrar-me de quando também eu fazia parte dessa população 'activa' que sai à rua com um destino em vista, uma morada, uma porta, uma loja, uma casa, um refúgio...


O meu olhar fugidio e carente grita tão alto solidão que entre mim e quem passa se erguem muros de vergonha e caminhos rasgados na fuga ao desespero.


E neste vaguear sem eira nem beira, encontro abrigo no abraço de uma vizinha, até aqui desconhecida, tocada pela graça do meu desamparo.


Hoje o meu lar transborda de lágrimas e desassossego e eu saio à procura de gente, de vozes, de sons e de luz na ilusão de poder, finalmente, reencontrar o meu caminho !

mercredi 14 janvier 2026

Não preciso de muito...






O sol está de volta...


A sua luz abre sorrisos e o seu calor dá vida às cores que nos prometem a alegria dos poucos sonhos de que ainda não desistimos. Depois dos sessenta são pequenos sonhos, mas que nos pedem a coragem de os assumirmos, sem receio do olhar alheio. Sobretudo do olhar daqueles, que apesar de mais próximos, se revelam tão distantes...


Juízes, sem piedade nem empatia, criados e alimentados pela fragilidade de quem não soube esconder a sua tão baixa auto-estima !


Não sei bem a que momento do caminho me perdi de mim, mas ainda me lembro da pessoa impulsiva e determinada que fui... o importante era seguir o meu coração e viver o que sentia.


E eu vivi intensamente tudo o que senti e percorri oceanos de emoções, sem peias nem hesitações, até encontrar o meu cais e parar de navegar ! Mas ter mudado por duas vezes de embarcação ajudou a que mais tarde me sentisse acusada e logo de seguida culpada. Culpada de ter lutado, com amor e pelo amor, contra os moinhos de vento de velhos preconceitos ! Culpada de ter escolhido a minha verdade e não a dos outros !


Hoje há que ousar continuar o caminho, o meu caminho, mas desta vez em terra firme até reencontrar o meu bosque secreto, voltar às minhas raízes e finalmente parar para contemplar a vida ao meu redor !


Não preciso de muito... apenas do verde musgo do meu jardim de algas, onde tantas vezes reconheci o teu olhar, do vermelho sangue da nossa paixão, num ramo de cravos e do azul imenso desse mar que tão bem espelha o céu que nos envolve e o Porto da tua paixão !


Ser feliz sem ti, ainda me parece missão impossível . Mas não vou desistir, por ti, por mim e pelos nossos sonhos, hei-de um dia conseguir !

dimanche 4 janvier 2026

Não negar a nossa história...

 



E o tempo passa, sem hesitação ou dúvida, porque cada Vida deve seguir o seu curso até encontrar a sua meta, a sua foz, o seu oceano ! E é nessa imensidão que Ela vai encontrar todas as respostas !


Até lá sejamos humildes, pacientes, dignos de cada pequena vitória pela conquista de um dia-a-dia de tranquilidade e harmonia ! Pela minha parte quero deixar para trás todos os tumultos, todas as angústias e decepções... nada esperar de ninguém, nem mesmo uma mão estendida ou um gesto de ternura.


Recomeçar não significa voltar atrás, antes seguir em frente sem arrependimentos e com as boas recordações como única bagagem. O que nos fez mal, pode não ser esquecido mas pode ser destronado do nosso coração... não há nele espaço para o peso insuportável do que não tem perdão.


Deixar que venha até nós quem aprecia a nossa presença e deixar partir quem pouco ou mal nos suporta. Acabará por ser um alívio para todos...


Olhar cada amanhecer como o primeiro e cada pôr-do-sol como único. Sentir cada dia como uma benção e cada momento de alegria a usufruir e preservar como o maior e o melhor dos tesouros.


Não negar a nossa história, porque dela é o caminho que nos trouxe até aqui, onde hoje nos encontramos... com ou sem arrependimentos. O importante é a determinação com que enfrentamos cada desafio, cada recomeço... e nós, meu Anjo, vivemos e vençemos alguns !

jeudi 1 janvier 2026

Bom Ano de 2026





Lindo dia este primeiro de Janeiro de 2026 !

Um sol nada tímido, claramente brilhante que parece querer anunciar um bom ano ! Todos nós, sem excepção, o desejamos. 


Eu apenas quero que este vazio se torne indolor, que esta ausência se transforme em presença transparente, em sossego e doces lembranças. Quero lembrar sem mergulhar no abismo da dor, sem me perder de mim mesma e do caminho que me é destinado.


Tudo o que quero é encontrar a força e a coragem de continuar e deixar de me sentir debruçada na margem de um abismo que me assusta mas também me atrai. Tudo o que quero é reencontrar um sentido à minha existência.


É nos maus momentos que descobrimos quem realmente temos ao nosso lado, e eu, na procura cega de uma razão e de um sentido, mergulhei num caos emocional que espantou quem mais amo.


Talvez seja disso mesmo que eu preciso – solidão – para terminar a missão que me foi destinada nesta minha curta passagem pelo Mundo. Apenas tenho que a aceitar sem a sentir como um castigo e até talvez passar a senti-la como o refúgio último do meu desassossego...


Quero querer a solidão como se quer a melhor e mais leal das amigas e, quem sabe, pode até ser que me ajude a voltar a sorrir e tranforme 2026 num bom ano... oxalá !


J'aimerais tellement...


 


J'aimerais tellement vous avoir de retour. J'aimerais tellement avoir votre attention, votre respect, vos câlins... j'en donnerais ma vie pour l'avoir ! Mais la vérité c'est que je suis seule, avec mon chagrin et mes mémoires...


Je vous aime trop pour vous en vouloir, surtout parce que la vérité c'est que c'est moi qui n'a pas été à l'hauteur... jamais j'aurais dû être mère, jamais !


Devant moi des images de l'océan, immense, doux et tellement bien rythmé que je me sens rassurée... c'est là, bien à côté, que je veux finir mes jours. Je n'ai pas peur de la mort, c'est la douleur qui me fait peur !


J'ai essayé de tenir le coup, à l'aide d'un verre de vin, ça m'a libéré l'esprit et l'encre cours à flot comme une rivière vers son destin... la mer. N'est-ce pas elle la Mère de nous tous ?!


C'est devant Elle que je veux boire quelques verres, fêter ma libération, pour finalement vivre en paix !