Abri o meu tablet, cliquei em música e escolhi a 'melodia da felicidade'... queria tanto viver o milagre de me sentir feliz, ou pelo menos calma, com o sossego na alma e o coração tranquilo.
A cada retoma de contacto com as pessoas que em tempos fizeram parte do meu ciclo de amigos as notícias não são as melhores... a Vida surpreende-nos com mudanças inesperadas e até de alguma violência e cada um de nós tenta aguentar o impacto e seguir caminho sem muito tardar. Ninguém virá em nosso socorro. Muitos, nem sequer ousam desabafar a sua dor, com receio da reprovação alheia, de serem chamados de fracos ou etiquetados de emocionalmente desequilibrados !
Sentada no café, na ala dos solitários, dos que trabalham, estudam ou simplesmente fogem da solidão observo quem passa na rua e tento lembrar-me de quando também eu fazia parte dessa população 'activa' que sai à rua com um destino em vista, uma morada, uma porta, uma loja, uma casa, um refúgio...
O meu olhar fugidio e carente grita tão alto solidão que entre mim e quem passa se erguem muros de vergonha e caminhos rasgados na fuga ao desespero.
E neste vaguear sem eira nem beira, encontro abrigo no abraço de uma vizinha, até aqui desconhecida, tocada pela graça do meu desamparo.
Hoje o meu lar transborda de lágrimas e desassossego e eu saio à procura de gente, de vozes, de sons e de luz na ilusão de poder, finalmente, reencontrar o meu caminho !
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