mercredi 13 juillet 2022

O melhor está ainda para vir!


 

São várias as fases porque passamos ao longo da Vida.

Entre a infância e a adolescência a passagem faz-se com muitas borbulhas e sonhos sem fim! Ansiamos largar o ninho e partir à descoberta. Olhamos para os adultos como quem tenta compreender uma espécie em extinção, responsável por um mundo, no mínimo, obsoleto que acreditamos poder mudar. E é então que abraçamos vários ideais, nos empenhamos em diferentes lutas, todas urgentes e sobretudo justas. A nossa força é imensa, a Vida é eterna e para nós o Mundo parece não ter segredos. 

Da adolescência para a idade adulta dámos-nos conta que nem tudo é branco ou preto, que entre ambas há o cinzento e as suas mil e uma nuances. Que as lutas até podem ser justas e urgentes mas poucas terão sucesso e mesmo quando terminam numa bela e bem florida revolução, acabam por se revelar condenadas a esmorecer e a perder, com o tempo, toda a força, toda a cor e toda a coragem nela investidas. Depressa o banho de multidão se transforma em duche frio e nos devolve a uma realidade demolidora e triste! É então que as metas sonhadas se vão tornando, cada dia, mais  longínquas, até nos sentirmos obrigados a esquecê-las ou, simplesmente, a mudar de objetivos. E de repente, contra todas as expectativas, acordamos um dia transformados naqueles adultos de quem fugimos e que tanto contestamos!

A última fase, contrariamente ao que parece anunciar, pode revelar-se, de todas, a mais libertadora, aquela em que deixamos de sentir a necessidade de parecer e passamos simplesmente a procurar ser quem realmente somos. Aquela em que deixamos de querer mudar o que quer que seja para em vez disso aceitar o que a viagem e o caminho têm para nos oferecer. É por esta altura que pouco nos importa o olhar dos outros ou o que possam pensar e dizer.

Porque, finalmente, concluímos que é preciso muito pouco para sermos felizes e que na Vida há dois momentos únicos, aos quais, nenhum de nós escapa e cuja experiência não poderá nunca ser partilhada: o Nascimento e a Morte.

mercredi 6 juillet 2022

É proibido proibir-me...










Hoje acordei criança! 

No corpo a agilidade turbulenta da infância, no olhar o brilho cintilante da súbita e inesperada aventura, nos lábios o sabor incomparável da descoberta.

Pela primeira vez em muitos anos, aquele corrosivo sentimento de culpa desapareceu, deixando um inesperado, quanto desejado, vazio. Enchê-lo revelou-se indolor mas também marcante, como o primeiro grito do recém-nascido ao sair do ventre de sua mãe! Uma espécie de batismo anunciando o primeiro de muitos momentos de aprendisagem.

Tudo na Vida se aprende, até  aceitar o direito ao prazer e a momentos felizes quando tudo nos parece interdito!

E assim me dei conta que afinal era possível livrar-me desse tão nefasto e doloroso sentimento. Para isso basta-me ousar e dar asas a novas e sucessivas aventuras. Nada mais fácil, a julgar pelo prazer que hoje senti.

Aliás o único risco, que me parece evidente e que estou afim de correr, é o de me habituar!

mardi 5 juillet 2022

Conversa entre amigas à hora do almoço!


 


Abelha, abelhinha, abelhuda, da fama não te livras tu. Dizem que só sabes trabalhar, mas quando te vejo assim tão empenhada ninguém me convence que não tiras dessa tua azáfama o maior dos prazeres!


Olha quem por  aqui anda, o teu primo zangão. É melhor nem dizer nada, tem cá um mau feitio, inté  chega a dar medo! É deixá-lo p'ra lá que ainda se zanga.




Mais a vizinha borboleta! Bom olhos a vejam! Então que me conta? Oh amiguinha estou de passagem e o meu tempo é curtinho  e por isso precioso. Tal a beleza, que como eu é efémera!






O  melhor mesmo é almoçarmos juntas. Aproveitamos e pomos a escrita em dia! Que dizes? Digo que sim. Bora lá amiguinha, que o dia está belo e a curiosidade é mais que muita! E assim se passou uma manhã à beira lago!


mercredi 8 décembre 2021

Momentos...


A Vida é feita de momentos... bons, maus e entre ambos. 

Juntos são como peças de um puzzle que revelam sem pudor os caminhos da nossa existência. Uns, os maus, levamos toda uma vida a tentar esquecer num esforço quase sempre inglório, pois as marcas que deixam são mais palpáveis que a própria dor de os ter vivido.

Os bons, esses, eu vivo receando esquecê-los! 

Ontem disfrutei dum desses momentos, tão doce e belo quanto simples. Duas das minhas três princesas, com quem temos partilhado de mais perto os últimos 18 anos, vieram dar luz e calor ao final de um dia até aí frio, cinzento e tristonho. 

A beleza da situação começa por nada ter sido previsto ou programado. Um mal entendido da minha orelha direita, cada dia mais surda, acabou por transformar um almoço a dois num jantar a cinco!

Mas é o antes e o depois que mais realçaram o brilho desse momento, que tão bem me soube! 

Numa azáfama barulhenta e quase infantil as minhas princesas empenharam-se em espalhar, pequenos objectos de luz e côr, pelos espaços de maior convívio dando-lhes mais vida e calor. Em seguida e logo após um jantar dos mais normais, sem menu especial ou decoração a rigor, envolvemo-nos num combate, que facilmente ganharia quem mais dominasse a palavra ou melhor a mimasse. E foi aí que eu, não sem a indispensável ajuda da minha orelha direita e até talvez de um desejo profundo de retorno à infância, me deixei levar numa onda insuspeita de boas e belas gargalhadas. 

Ah que bem que nos faz a beleza genuína de um momento feliz!

vendredi 22 octobre 2021

Grito



Sinto-me mutilada, uma parte de mim deixou de respirar, de sentir, de querer, uma parte de mim abandonou e eu sinto-me perdida, sem norte, como um velho búzio que nem o eco do mar soube guardar!

Olho à minha volta e procuro imagens, odores, silêncios que antes me tocavam a alma para depois me escaparem por entre os dedos como areia, deixando preto no branco páginas do meu sentir. Procuro, mas nada me fala, nada me toca, nada me desperta... e hoje vivo com esta sensação de vazio que rasga, como a dor fantasma de um membro amputado que teima em lembrar-nos a sua existência!

Preciso de mim inteira e não sei como me encontrar e nem mesmo onde me procurar!